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Archive for novembro \16\UTC 2009

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Demorei o máximo que pude para ver esse filme. Para falar a verdade, eu nem queria ver esse filme. A razão? Medo. Meu maior medo era o hype imenso que esse filme carregava em cima dele. A fita nem tinha começado sua vida nos cinemas e todos já diziam que seria “o melhor filme de todos”. Confesso que sou um pouco (pouco é muito e muito é pouco) chato. Principalmente quando gosto de algo. E sempre gostei dos filmes do Tarantino. Não, eu não acho o cara um gênio. Acho um ótimo e divertido diretor. O maior triunfo do Tarantino é saber lidar bem com o clichê. Algo que todos tentam e a maioria fede ao fazer tentar fazer isso. Tarantino trabalhava numa locadora. Ou seja, estava rodeado pelo clichê o dia inteiro. Afinal, os filmes que costumam passar nas televisões das locadoras são, em sua maioria, algo que se tornou clichê com o tempo. Junte se a isso o seu talento e ironia referente à violência e você têm um ótimo diretor. Seu primeiro roteiro foi “Assassinos por Natureza”/ “Natural Born Killers” (com Juliette Lewis, Robert Downey Jr. e Tommy Lee Jones no elenco) o qual Oliver Stone dirigiu. Talvez seu maior roteiro, mesmo sendo bastante revisado pelo próprio Stone.

O primeiro roteiro de Tarantino já mostra o quanto ele é light.

Também não vi Burn After Reading/Queime Depois de Ler pelo mesmo motivo. Muito é falado antes de o filme ser lançado. E também é de um dos meus cineastas favoritos. O fato dos irmãos Cohen terem entrado no mainstream me assusta até hoje.

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Assustado com os Irmão Cohen no mainstream!

Quem já acompanha as peripécias deste blog sabe que costumo mais descer o pau do que elogiar: tirando Y: The Last Man, Ren & Stimpy e Billy & Mandy eu fui só reclamações e maldições. Mas de qualquer forma, não fiz tantas resenhas assim…fredburger08

Então já deve ter alguém pensando: lá vai esse chato descer o pau no filme. Mas…

…o filme é muito bom! É melhor que Pulp Fiction? Não! É melhor que Kill Bill? É igual e diferente do mesmo modo. Ver um filme do Tarantino tem sempre uma sensação parecida, mais ou menos como ver Kubrick pós-Lolita. A sensação é parecida e os filmes não. Tarantino já conseguiu deixar sua marca no seu modo de fazer filmes. Não sei como explicar, mas quem conhece o trabalho dele já sacou o que eu quis dizer. Assim como Kubrick tinha aquele modo de sempre valorizar aqueles sorrisos aterrorizantes, cenas no banheiro e outras coisas. Não me entendam mal. Não estou comparando um com o outro. Kubrick era um gênio. Um dos maiores da história do cinema. Tarantino ainda não o é. É ótimo e divertido. Mas não sei. Ainda falta algo e tive a impressão de que com Bastardos Inglórios ele deu mostras de que está à procura desse algo mais.

Bastardos Inglórios é o chamado Historical Fiction (ficção histórica). A fita se passa na Segunda Guerra Mundial (entendam que esse era mais um dos meus medos: Nazistas de novo?!). Mas Tarantino não esgotou ainda mais o assunto. O nazismo e a guerra podem passar apenas como coisas secundárias.

Agora, para não falar só de Tarantino, o elenco foi muito bem escolhido. Começando com Christoph Waltz (“Ordinary Decent Criminal” / “Um Criminoso Decente” – vejam esse filme também!) no papel de Hans Landa. Waltz é o melhor no filme. Sua atuação é bárbara e mereceu o Cannes de melhor ator. Michael Fassbender (“Bando of Brothers” e “300”) como Lt. Archie Hicox (o inglês que troca tiros na virilha no pub) muito bem também. Eli Roth (demorei a lembrar quem era esse doidão. Ele faz parte do grupo Splat Pack, que é um grupo de cineastas de filmes de terror que decidiram voltar a fazer filmes de terror mesmo – pesados, “Saw”/ “Jogos Mortais” é de um diretor desse grupo. Eli Roth é o diretor de “O Albergue” que, confesso, não sou fã) é Donny Donowitz / O Urso Judeu, impecável sua ultima aparição na qual ele atira em Hitler até o rosto dele virar pedaços de carne moída no liquidificador. Diane Kruger (a Helena em “Troy” / “Tróia” e Abigail Chase em “A Lenda do Tesouro Perdido”) interpreta Bridget von Hammersmark. Diane Kruger já foi uma modelo de sucesso na década de 90, se não estou enganado. Que bom que deixou de ser modelo, parece que sob a correta direção e em um filme bom (diferente dos citados na qual ele atuou) ela tem talento. Daniel Brühl (“Adeus Lênin” e “The Edukators”) é Fredrick Zoller, ou o herói de guerra alemão. O cara é realmente bom. É só ver os filmes que o cara fez. Til Schweiger (“Tomb Raider” e “Rei Arthur”) é  o alemão que muda de lado. O cara no filme é hilário. Não sabia que o cara era bom (afinal olha os filmes que eu citei que ele fez), mas ele o é. Mélanie Laurent faz Shoshana. Essa eu não conhecia, mas também é muito boa. Omar Doom é Omar Ulmer. Gedeon Burkhard é o tradutor dos Bastardos. B.J. Novak (“The Office”) é o Little Man (não lembro bem como ficou em português, se foi Pequenino ou algo do tipo). Mike Myers (o Austin Powers) é o general inglês que comanda a idéia do assassinato de Hitler. Rod Taylor (“A Máquina do Tempo” de 1960, baseado no livro de H.G. Wells) faz o Wiston Churchil. Denis Menochet (“Hannibal Rising”) faz o fazendeiro francês do inicio do filme. Christian Berkel (“Operação Valquíria”) é o barman do pub onde rola aqueles tiros na virilha. Jacky Ido (esse eu não conheço) faz Marcel. August Diehl (“The Counterfeiters” e “The Ninth Day”, ambos alemães) é o oficial da Gestapo, especialista em sotaques, que troca tiros na virilha. Alexander Fehling (“And Along Come Tourists”, também alemão) é o cara que está comemorando o nascimento do filho onde dão tiros na virilha. Sylvester Groth é Josef Goebbels, ministro da propaganda de Hitler. Groth também interpretou Goebbels na comédia My Leader – The Truly Truest Truth about Adolf Hitler (também alemã). Quem também interpretou Goebbels foi Martin Wuttke – que é Hitler no filme de Tarantino – no filme Rosenstrasse (alemão também, mas se tiverem tempo – e paciência para achar – vejam). Julie Dreyfus (Sofie Fatale em “Kill Bill”) é a interprete francesa de Goebbels. O curioso é que parte do elenco desse filme são também diretores. Um exemplo disso é Enzo G. Castellari que no filme é um general nazista. Castellari é um diretor italiano, conhecido pelos seus Spaghetti Western como Any Gun Can Play, Kill Them All and Come Back Alone, Seven Wichesters For a Massacre e,…, The Inglorious Bastards – Quel maledetto treno blindato. Os bastardos de Castellari e de Tarantino são parecidos. Com certeza o filme de Castellari inspirou Tarantino. Os Bastardos no filme de Castellari são soldados americanos que estão sendo levados para uma prisão militar quando um ataque aéreo alemão acaba os “soltando” ao matar todos os guardas. Os soldados decidem fugir e acabam fazendo parte de um plano que consiste em roubar o giroscópio de um foguete V-2 nazista que se encontra em um trem extremamente protegido por nazistas.

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The Ingloriou Bastards de Castellari.

Ué, e o Brad Pitt? Bom, Brad Pitt é um grande ator. Quando ele não faz papéis de heróis entediados ou de galã supersexy (como Aquiles em “Tróia” ou Sr. e Sra. Smith) ele manda muito. É só ver filmes como Thelma & Louise, Across the Tracks, Kalifornia (acho que foi aí onde ele aprendeu esse sotaque que ele tem em Bastardos Inglórios), Interview with the Vampire, Lendas da Paixão, Seven (Sete Pecados Capitais), Os Doze Macacos, Fight Club (Clube da Luta), Snatch (mais uma vez ele faz um sotaque genial), Babel, …, deu para entender, né? Ou seja, quando o papel e o filme é bom, ele arrebenta. Por isso não vou ficar falando o quanto ele foi bem nos Bastardos. Tentei falar mais dos outros que, para a grande maioria, são desconhecidos.

Como não poderia deixar de ser…

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Pausa para um lanchinho...

…em filme de tarantino nunca falta sangue e nem Samuel L. Jackson. Ele não atua, mas é o narrador. Poucas vezes narra, é verdade, mas ele está lá.

Minha conclusão é: se não viu, veja por você mesmo. Se já viu, sabe do que estou falando.

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O que o Superman vai fazer? Que horror!

Uma imagem vale mais do que mil palavras…

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Fred Fredburger revela o segredo do sucesso: YES!

Me assustei ontem ao descobrir que mais de 1064(1080 hoje) pessoas visitaram meu Blog (e isso não conta com as minhas visitas). Tirando pessoas que você conhece (e eu sou um cara muito social e falei deste blog para todas pessoas chegadas a mim que, somando todos que mantenho um certo contato, são seis pessoas no total), que costumam entrar aqui por pura simpatia e amor (obrigado Débora, amor da minha vida), são muitos desconhecidos lendo minhas inúteis considerações sobre outros assuntos inúteis. Mesmo dos  seis amigos, apenas três dão aquela olhadinha de vez em quando (um desses três minha namorada, que vem visitar aqui por puro apoio moral). Ou seja, concluindo, as pessoas adoram algo inútil.

Eu pensava que ninguém vinha nessa joça aqui.  Afinal de contas, poucas pessoas decidiam comentar alguma coisa. Então, eu escrevia mais para mim mesmo. Será que tenho que tomar mais cuidado com o que falo (não tenho nada contra são paulinos – só não gosto deles… – inclusive um dos meus grandes amigos é bambi, digo, são paulino. Diz aí, Donel)? E a resposta é: não. Primeiro que minha audiência não é tão grande assim (ela é composta principalmente de fãs do Fred Fredburger e do Nigel Planter) que eu me tornei um símbolo para as criancinhas. Mais uma vez, estou escrevendo isso mais para mim mesmo. A diferença é que estou com o ego maior. Mas isso não deve durar muito…

Então, como a maioria dos que visitam esse blog é fã do Fred Fredburger, estou pensando em fazer um concurso. Não sei sobre o que ainda. Mas quem vencer pode levar NACHOS ou PICKLES para casa? E aí, Fredburgetes, o que acham?

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Também fiquei sabendo, através das opiniões de meus três maiores leitores (minha namorada, Débora, e meus amigos, Mauricio e Nilton) que meus posts são muito grandes e extensos. E que as pessoas tem preguiça de ler. Oras, não sou um baluarte da língua portuguesa. Muitos podem perceber que meus escritos não estão livres de erros de portúgueis português. Mesmo assim: preguiça de ler, minha gente?! O quê? Vai me dizer que também tem preguiça de dormir?

Eu não atualizo muito o blog, verdade. Mas não atualizo porque não tenho algo de útil (mesmo sendo inútil) e interessante para falar. Não vou aqui falar, por exemplo, de como o Silvio Santos é feio. Na boa: meu tempo livre é raro e não vou perder ele escrevendo coisas inúteis só pra dizer que meu blog tem vida sexual ativa. Nada contra quem faz isso. Apenas não é para mim.

Bom, se você tá lendo esse blog e tá com preguiça de comentar, eu te entendo. Faço isso muito. Visito vários blogs e minha vontade de comentar some quando aparece uma mensagem do tipo: cadastre-se no google friends! Mas, se você quer me fazer um pouco mais iludido (e talvez me fazer largar a faculdade achando que isso daqui vai me sustentar) comente. Mas se for pra comentar coisas chatas, não o faça. Se for pra me insultar, não perca seu tempo nem o meu. Se for para adicionar algo mais aos meus já exaustivos textos, por favor, sinta-se em casa.

Obrigado, leitores anônimos.

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A expressão do casal mais chato do mundo depois de John Lennon e Yoko Ono nos mostra o quão divertido é a saga Crepúsculo.

Bom, não gosto de agir de modo hipócrita. Por isso, ao contrário de muitas pessoas, não saio por aí dando pitacos sobre assuntos que não entendo. Quando este assunto se trata de um livro, por exemplo, e eu não estou muito a fim de ler o mesmo, eu busco opiniões da qual eu normalmente concordo. Por exemplo: se você odeia literatura western (velho oeste) e quer opinião sobre determinado livro X (que não é necessariamente western) você vai buscar opiniões sobre o livro com quem? Alguém que ama western? Não. Você procura opinião daquele que tem gostos parecidos com os seus. Ao menos é o que eu penso.

Logo, quando quero dicas literárias sobre livros que se encaixam mais ou menos na categoria fantasia eu vou ao site www.fantasyliterature.com. É em inglês. Então se você sabe inglês, beleza. Se você não sabe, é melhor ler os clássicos da literatura. Seja fantasia, ficção cientifica ou livro de receitas. Porque infelizmente para um livro vir parar aqui em terras tupiniquims ele tem de ser um estouro de venda. O que, Twilight/Crepúsculo mostra bem isso, não significa que seja bom. Paulo Coelho que o diga.

Quando fui ler resenhas e opiniões no Fantasy Literature sobre Twilight me deparei com três resenhas. Uma pessoa odiou, outra pessoa amou e outra está até hoje em dúvida se amou ou odiou o livro e sua respectiva saga.

Bom, como as opiniões não pendiam para nem um lado nem outro, eu decidi ler. Que grande perda de tempo. Já tinham me falado que a narração era chata, pois era em primeira pessoa pela perspectiva da garota e ela descreve cada sentimento que tem. Bom, para ficar mais fácil de entender é o seguinte: sabe quando você tem um amigo ou amiga chorão/chorona que é bem chato(a) que se torna exaustivo mas, infelizmente, é seu amigo(a) e você tem que agüentar a peça? Bom, agora imagina que essa pessoa tem lá pelos 15 anos e ainda não sabe enfrentar muito bem os problemas de uma puberdade que ainda não acabou e está apaixonada por uma pessoa com a qual não terá uma relação sadia e proveitosa. Imaginou? Pois é. Essa pessoa vai ficar te enchendo o saco falando sobre o amor dela/dele e blá,blá,blá, e como ela(e) está triste porque o fulano(a) não foi para a escola hoje e ela(e) acha que isso é porque ele(a) não a(o) ama. Visualizou? Agora imagine você preso(a) dentro da cabeça dessa pessoa. Imagine você tendo que saber quais são TODOS os pensamentos dessa pessoa insuportável sem ter nem aquele tempo em que o chorão/chorona para pra respirar! Pois é. Essa é a sensação de ler Twilight/Crepúsculo.

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Olha como o Angel fica sexy quando está com fome...

Ok. Eu pensei, erroneamente, que tinha que ter algo de bom nesse livro. Afinal (como pude cometer tal erro?), tinha virado uma febre esses livros e (ora, veja só!) Hollywood já adquiriu os direitos para fazer todos os filmes da saga. Não me julguem. Quem já leu alguma coisa que eu já escrevi antes sabe que sou anti-adaptações cinematográficas total (tirando as bem feitas como O Exorcista, Um Estranho no Ninho e outros), pois os filmes não costumam ser fiéis a sua fonte original, para melhor ou para pior. Se fosse pelos filmes eu nunca teria lido Harry Potter, que é infinitamente melhor que suas adaptações (tirem as crianças/moralistas da sala) de MERDA!

Com os livros de Harry Potter na cabeça fui e comprei o primeiro da saga, o Twilight. Comprei em inglês porque assim eu treino o inglês e fico livre dos erros de tradução (algo que me irrita bastante). Acontece que o dito cujo livro não conseguiu nem ao menos acrescentar uma palavra sequer ao meu vocabulário. Fui consultar o dicionário apenas três vezes. Uma para confirmar a pronuncia de certa palavra e outras duas para no final descobrir que as palavras que eu não sabia não eram palavras em inglês, mas nomes biológicos de dois tipos de plantas.

Ok. Isso tudo pode ser irrelevante se ao menos a estória (ou plot) forem ao menos legaizinhos, divertidinhos ou ao menos capazes de me distrair.

Bom… A estória é um saco. O roteiro e o ritmo são estagnados. Não acontece absolutamente nada o tempo todo. Você começa um capítulo com a insuportável da Bella Swang se levantando de manhã (no início reclamando do tempo nublado e depois tendo um orgasmo com o mesmo) e lhe descrevendo cada movimente e pensamento inútil que lhe acomete. Aí a desgraçada vai para a escola se perguntando se o veado do Edward Cullen vai estar lá. Aí ele está. E ela nos descreve o quanto o sorriso dele é perfeito, como seu corpo é musculoso, como seu peitoral é lindo e parece que vai rasgar a camisa (afinal, estou lendo o que? Um romance erótico desses de banca de jornal para mulheres que não conhecem a internet e suas facilidades?), e seus cabelos de comercial de shampoo e seus olhos que todo dia está de uma cor diferente, e etc. Aí ela vai para aula de trigonometria e fica pensando no quanto o sorriso dele é perfeito, como seu corpo é musculoso, como seu peitoral é lindo e parece que vai rasgar a camisa, e seus cabelos de comercial de shampoo e seus olhos que todo dia está de uma cor diferente, e etc. Aí ela senta para almoçar com ele e ficam conversando coisas inúteis e ela nos descreve novamente o quanto o sorriso dele é perfeito, como seu corpo é musculoso, como seu peitoral é lindo e parece que vai rasgar a camisa, e seus cabelos de comercial de shampoo e seus olhos que todo dia está de uma cor diferente, e etc. Nessas conversas é que a gente pensa que algo de interessante pode acontecer. É nessas conversas que as ações do livro acontecem. Ela pergunta o que ele fez ontem a noite e ele responde que foi com seu outro irmão musculoso caçar veados. Resumindo, ele e seu irmão bofe foram num jogo do São Paulo Futebol Clube no Morumbi. Aí eles quase se tocam, mas no final das contas não se tocam porque meio que rola uma pequena descarga elétrica entre eles. Ai ele deixa ela na porta de sua outra aula, toca rapidamente no rosto dela e se vira imediatamente e sai todo vermelho. Só falta colocar as mãos no rosto e dar risadinhas do tipo “hihihihi”. Ah, claro. E ela descreve mais três vezes o quanto o sorriso dele é perfeito, como seu corpo é musculoso, como seu peitoral é lindo e parece que vai rasgar a camisa, e seus cabelos de comercial de shampoo e seus olhos que todo dia está de uma cor diferente, e etc. Aí ele dá uma carona para ela deixando-a na porta de casa. Aí ela acorda no outro dia e tudo se repete. Ou não. É aí que entra as grandes viradas do roteiro (os chamados plot twists). Aquilo que acontece quando alguma coisa que nós estamos esperando não acontece e acontece outra coisa que nós nunca iríamos imaginar e nós ficamos todos “OH! MEU DEUS! POR ESSA EU NÃO ESPERAVA! TENHO QUE LER O OUTRO CAPÍTULO AGORA, NÃO IMPORTA QUE JÁ SEJAM 3 E 30 DA MADRUGA E EU TENHO PROVA DE FÍSICA LOGO DE MANHA!”. Pois é. A Stephenie Meyer (se você é como eu e não suporta esses lenga lengas, gravem e o nome dela para nunca mais comprar algo dela novamente) também tem suas cartas na manga. Você estará esperando (já que a coisa se repete o tempo todo) que o dia anterior se repita e tal. Mas aí, minha nossa, o tal do vampiro não vai para a escola e ela fica toda preocupada e com saudade do quanto o sorriso dele é perfeito, como seu corpo é musculoso, como seu peitoral é lindo e parece que vai rasgar a camisa, e seus cabelos de comercial de shampoo e seus olhos que todo dia está de uma cor diferente, e etc. Para melhorar, ela fica descrevendo sua angústia ao pensar que ele pode não ter ido para a aula porque ele não a ama.

Agora, se tem algo que é muito mal explicado é o porquê do vampiro amar ela. Ele fala varias vezes que seus familiares (todos vampiro igualmente gays) estão irritados com ele por ele

spike

Veja se o Spike tem cara de deprimido.

estar andando com a insuportável da Bella e estar contando seus segredos vampirescos para ela. Ora, para um cara velho (ele é um vampiro e já tem certa idade, mesmo estando ainda na High School) e calejado contar segredos tão profundos assim para alguém por vontade própria, essa pessoa tem que significar bastante para ele. Mas a relação deles é baseada em nada! Eu entendo o fato dela fica ficar embasbacada pelo cara, afinal ela já nos encheu sobre o quanto o sorriso dele é perfeito, como seu corpo é musculoso, como seu peitoral é lindo e parece que vai rasgar a camisa, e seus cabelos de comercial de shampoo e seus olhos que todo dia está de uma cor diferente, e etc. E ela também é muito tonta e chata. E ele é um vampiro ora bolas. Mesmo sendo um vampiro muito chato e nem um pouco emocionante, ele é um vampiro e garotas bobas que tem 15 anos gostam dos tais bad boys. Isso até ele dizer pra polícia que foi ela a culpada pela chacina e pela maconha no seu porta-malas e ser deixada com uma gravidez indesejada. Mas ele ficar apaixonado por ela não faz sentido. Ele diz para ela que cansou de fugir do sentimento que o faz querer ficar perto dela. Como assim? Ele a viu uma vez, faltou uma semana inteira na escola e depois falou com ela. Ele não tava se agüentando de saudade? Isso faz tanto sentido quanto a música do James Blunt, “You’re Beautiful”, e a algum cara que esta dentro do ônibus e vê uma mulher na rua, chega em casa, comete suicídio e escreve um bilhete de despedida (não necessariamente nessa ordem à la Kurt Cobain) dizendo que não quer viver se não puder ter a tal mulher desconhecida. Faça-me um favor e compre um papagaio. Ao menos você pode ensinar o papagaio a falar “tu é gay” e coloca-lo na frente da sua casa. Ai toda hora alguém passa e o pássaro fala “tu é gay” e você corre pro abraço. Provavelmente a única coisa que o faça sentir atraído por ela é que ela tropeça sem parar. Não que eu ache isso atraente, mas ele vive a repetir esse fato.

Eu fui me forçando a ler o livro. Eu pensava “ninguém é tão burro a ponto de ler um livro inteiro onde nada acontece e gostar do mesmo”. Esse pensamente me manteve em frente e depois fiquei pensando se outros também foram vítimas do mesmo pensamento. Já tinha passado da metade do livro e a parte mais emocionante foi quando ela estava numa cidade e a retardada se perdeu e uns caras da pesada começaram a seguir ela. Aí o vampiro chega e você imagina “AÇÃO!!!!” (já salivando feito um cachorro raivoso só com idéia de que algo possa vir a acontecer). Mas o que acontece? O vampiro a coloca no carro e eles saem do local. Aí ele paga um jantar pra ela e ela nos faz o favor de nos relembrar o quanto o sorriso dele é perfeito, como seu corpo é musculoso, como seu peitoral é lindo e parece que vai rasgar a camisa, e seus cabelos de comercial de shampoo e seus olhos que todo dia está de uma cor diferente, e etc.

Em uma dessas conversas insuportáveis entre o casal 20, a garota insuportável pergunta para o vampiro afeminado se ele morre ao entrar em contato com a luz do sol e ele responde que não. Ele diz que acontece algo e prefere que ela veja por si só. Fiquei intrigado com isso. Afinal, um dos inimigos clássicos dos vampiros sempre foi o sol e sua luz. Mas hoje em dia é clássico destruir idéias clássicas. Eu sabia que ela não estaria sendo original ao mudar esse fato, mas decidi ver qual era a idéia dela. Então quando ela o vê na luz do sol eis o que acontece:

“Edward in the sunlight was shocking. I couldn’t get used to it, thought I’d been staring at him all afternoon. His skin, white despite the faint flush from yesterday’s hunting trip, literally sparkled, like thousands of tiny diamonds were embedded in the surface.”

Traduzindo meio que porcamente (não sou bom tradutor): “Edward nos raios de luz era chocante. Eu não conseguia me acostumar a isso, mesmo estando olhando para ele toda a tarde. Sua pele, branca apesar do leve bronzeado da viagem de caça ontem, literalmente brilhava, como se milhares de minúsculos diamantes estivessem cravados na superfície.”

Para! Para! Quando ele entra em contato com a luz do sol ele brilha feito purpurina?! Foi aí que desisti do livro. Quando eu era moleque, alguém que gostasse de estórias com vampiros queria ser vampiro porque eram seres muito fodas. Mesmo que não pudéssemos ter contato com a luz do sol, a idéia de uma vida emocionante era suficiente para nos fazer considerar a idéia. Aliás, a maioria das estórias de vampiros que eu li eram no mínimo divertidas, o vampiro sendo bom ou mau. Agora, vai ser o sonho de todo são paulino ser um vampiro a la Edward: imagina sair na rua durante o dia brilhando feito purpurina?

Algum fã (acredito mais em alguma fã) irritado(a) pode argumentar que eu não sei de nada porque não cheguei até o final do livro. Eu tenho três argumentos para isso:

1-     Tenho que cuidar dos meus rins! Ler coisas tão ruins fará, indiscutivelmente, mal para minha saúde.

2-     Meu tempo livre não é algo tão comum que possa me dar o luxo de ler lixos do tipo.

3-     Fui atrás de mais opiniões. Primeiro, fui ao meu amigo e colega Nilton, do blog Alguém Vai Me Ouvir (que por sinal anda bombando de visitas ultimamente, cheque você mesmo no link na lateral do blog deste que vos escreve). Ele me disse que sim, não acontece nenhum tipo de ação durante o livro todo. No entanto ele é mais paciente que eu e vai tentar achar algo de bom na série. Eu já disse, desista. É mais produtivo ver Casos de Família. Porém, o Nilton tem uma opinião que se parece com a minha. Não são idênticas, mas dividimos alguns gostos em comum. Então, decidi perguntar para a prima da minha namorada. Ela, sim, é fanática pela série e é daquelas que grita “LINDOOOOOOOO!!!!!” toda vez que avista uma foto do ator que interpreta o vampiro vegetariano. Ela me disse que eu não devia falar mal do livro, pois ela ama muito a série e que o Edward é “LINDOOOOOOOOO!!!!” mas que sim, não acontece nenhum tipo de ação em nenhuma parte do livro. Inclusive ela diz que as coisas tendem a piorar no quesito “alguma coisa de útil acontecendo”. Pelo jeito, a única ação que você vai receber destes livros é ao perceber que gastou R$ 40,00 (se comprou o livro em português) ou R$ 170,00 (se comprou a série toda junta) ou, no meu caso, R$ 22,72 (se comprou o livro em inglês em tradepaperback) inútilmente.

Poxa, vampiros costumavam ser divertidos. Mesmo o Angel ou o Spike que depois viraram caras bonzinhos eram divertidos. Muitos fãs mais hardcores de vampiros podem discordar. Mas tenho certeza que eles preferem o Angel e sua cara de bunda do que o vampiro purpurinado do Edward Cullen e ssua pele brilhante como diamante. Lestat era um vampiro divertido, que sabia aproveitar a vida sendo vampiro e depois sofreu com suas ações. Mas nenhum deles foi parar na high school. Tudo bem que o Angel se apaixona pela Buffy, que no inicio era uma aluna do High School, mas c*r*lho, a Buffy é uma caça vampiros e descia a bordoada no submundo infernal inteiro de Sunnydale. Eles ao menos tinham algo em comum e algo no que basearem sua relação.

Eu tentei explicar para a prima da minha namorada que vampiros não são seres legais e querem matar os seres humanos. Eles precisam do nosso sangue para viver. Bom, ela não

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Pergunte para o Nosferatu o que ele pensa sobre se tornar vegetariano.

acreditou. E acho que a maioria dessa nova geração vai pensar que vampiros são todos bonzinhos e vão ter sonhos eróticos com vampiros que pode não condizer com a realidade. Diz aí, Nosferatu!

Tem uma série chamada The Vampire Diaries que é de 1991 e fala sobre uma menina que se apaixona por um vampiro e tudo mais. Parece famíliar? Sim. Inclusive o autor dessa série (que agora virou série de TV pela CW) L.J. Smith está processando a autora Stephenie Meyer por plágio. A única diferença entre uma série e outra é que na série de L.J. Smith acontecem algumas coisas, como ação.

CONCLUSÃO: Se você tem mais o que fazer, não leia esse livro. Se for ler, não compre. Pegue emprestado (não estou incentivando a pirataria de livros). Se você é dessas garotinhas que vê um filme só porque o protagonista é “LINDOOOOO!!!”, vá ver o filme. Ao menos você vê o “gatão”. Se você é como eu e gosta de boas estórias de vampiros, lobisomens, leprechauns ou o diabo a quatro, vamos dar uma de Fahrenheit 451 e juntar todos os exemplares da série e tacar fogo. Depois a gente roga uma praga na autora. Um pouco de ação (não do tipo Duro de Matar, mas sim da origem da palavra que vem de movimento) não faz mal a ninguém. Ouviu, Stephenie Meyer?

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